Para quem acompanhou a final do The Voice Brasil da Rede Globo ontem deve ter ficado surpreso (ou não) com a eliminação da Priscila Tossan. Devo confessar que não acompanhei a todos os programas, mas, gostava da Priscila e da maneira autêntica como ela canta e se apresenta nos palcos. A jovem cantora exprime um singular talento e apresentou a sua personalidade igualmente peculiar ao longo do programa.

Quando falamos do seu técnico, Lulu Santos, uma das maiores autoridades musicais brasileira, alguns pontos em seu comportamento chamaram a atenção dos participantes e principalmente dos telespectadores, que rechearam as mídias digitais com comentários sobre a preferência do técnico pela participante.

Quando associamos esse caso ao mercado de trabalho e sobretudo, ao processo de liderança e competências comportamentais, algumas reflexões são válidas de serem feitas.

Obs: este artigo não desconsidera o talento da artista e as impressões técnicas do técnico.

Vou começar pelo Lulu Santos (o líder)

O líder antes de qualquer coisa, é um ser humano e como tal, é legitimo e normal possuir as suas preferências dentro de um time e em uma empresa.

Uma das inteligências que todo líder precisa possuir é saber a linha tênue que deve administrar para que essa preferência não atrapalhe as suas decisões e, sobretudo, o clima do time. O líder precisa ser ou pelo menos PARECER imparcial.

Um líder que não exerce imparcialidade em suas tomadas de decisões e demonstra claramente preferências emocionais e paternalistas, como foi o caso de Lulu Santos, pode arranhar a sua reputação e credibilidade.

Neste caso específico, mesmo Lulu Santos (o líder) tendo dado os seus 20 pontos para a sua preferida, a opinião pública foi maior.

Falando agora da Priscila Tossan (a candidata da geração Z)

No mercado, quando falamos de Personal Branding (Gestão da Imagem Pessoal) uma máxima que existe é “percepção é tão importante quanto realidade”, as vezes ouço muita gente dizendo assim: “esse é o meu jeito”. Devo fazer um alerta poderoso, o seu jeito e a sua personalidade não são mais importantes que o todo.

Todo talento da Priscila Tossan passou a ser questionado frente ao seu comportamento “rebelde suave” nos estúdios da Globo. Segundo algumas reportagens que lí, ela ensaiava algo e fazia outra apresentação no palco, o que incomodava apoio e produção.

Entre os seus colegas a imagem de “protegida e favorita” começou a incomodar, como já citado, impactando no clima do time.

Mesmo que não tenha sido a intenção – ao cantar a música “o sapo não lava o pé” ou utilizando sua fonética, “o xapo não lava o pé” a percepção que Priscila deixou foi de superioridade e desconsideração com o esforço musical dos seus colegas.

As suas expressões e microexpressões faciais e corporais (que poderiam não ser intencionais) demonstrava uma imagem de “superioridade velada” o que gerou um incômodo em algumas pessoas que assistiam ao programa. Alguns amavam e outros detestavam. Na programação neuroliguistica uma abordagem de comunicação, desenvolvimento pessoal e psicoterapia criada por Richard Bandler e John Grinder, isso pode impactar diretamente na conexão emocional com as outras pessoas e na construção da imagem pessoal durante apresentações. Foi exatamente o que ocorreu neste caso.

Ao observar o comportamento do líder e da candidata, duas variáveis associadas ao mercado de trabalho precisam ser consideradas: (1) tão importante quanto talento é o comportamento que você tem no trato com ele e como você vende a sua imagem, a dita e a não dita. (2) o líder não deve deixar as suas preferências atrapalharem a gestão de (e com) pessoas. (3) a qualquer momento tudo pode mudar e você pode (e deve) influenciar de forma positiva para esta mudança. A humildade sempre é um bom começo.

Fonte: Fernando Coelho – LinkedIn