Jacqueline Carter, Rahul Varma e Rasmus Hougaard

De acordo com a Association for Talent Development, as empresas americanas gastam mais de US$ 160 bilhões em treinamentos e programas de capacitação. Neste valor, estão inclusos cursos, instalações, sistemas e ferramentas. No entanto, aquele pouco tempo e o dinheiro tão preciosos são gastos com o preparo para a mente do aprendiz. A verdade é que, se o aprendiz não tem a capacidade da mente para prestar atenção “naquele momento”, esses investimentos não têm retorno.

Muitas pessoas fazem treinamentos com muitas coisas na cabeça. É como se o cérebro estivesse abarrotado de coisas, tendo pouco ou quase nenhum espaço para armazenar mais informações ou ideias. Para as organizações otimizarem o retorno do investimento em treinamento, acreditamos que todos os profissionais do curso, bem como os aprendizes, devem prestar atenção na atenção.

E como fazer isso? Com a prática da meditação. Essa prática tem se mostrado importante para aperfeiçoar as funções cognitivas, como também  atenção, memória e funções executivas. Todas essas características são essenciais ao aprendizado. Aprender a controlar a atenção está no centro da prática da meditação, mas nem todos os colaboradores dizem ter tempo – ou vontade – de participar do programa de meditação. Sendo assim, fica a critério dos profissionais trazer a prática para as sessões de treinamento. Veja como fazer:

  • Crie um ambiente propício para o aprendizado. Não subestime a importância disso para que a prática da meditação seja otimizada. O ambiente ideal para o aprendizado deve ter poucos objetos, ser um espaço amplo para introspecção e colaboração, janelas grandes para que tenha alguns cantinhos para reflexão individual ou meditação. Adicionalmente, se houver refeições ou lanches, estes devem ser nutritivos e alinhados ao mais, os quais aumentam a energia e o desempenho, como verduras, grãos, nozes e frutas vermelhas, além da ingestão de menos açúcar.
  • Diminua a distração comprovam que, quando as pessoas se distraem, pode levar até 30 minutos para elas voltarem a se concentrar no que estavam fazendo. E quanto mais complexa é a atividade – aprender algo novo é uma das tarefas mais difíceis para a mente – mais tempo demora. Há uma grande diferença entre saber que é importante se concentrar e o fato de se concentrar em si.  Em se tratando de uma sala de aula, tal atitude envolve desligar o celular a não ser que o celular seja necessário para o aprendizado. Numa sala de aula cheia, pegar o celular para ler e-mails ou mandar uma mensagem pode ser tentador, afinal “ninguém vai ver”, não é?” Enfatize que ter disciplina é fundamental. Peça que todos se comprometam com o curso, silenciem as notificações do celular e guardem todos os dispositivos que possam causar distração.
  • Comece cada sessão com dois minutos de meditação. Fazer alguns minutos de meditação no início de cada aula – e entre as aulas – pode ajudar os participantes a limpar a mente e estar abertos para novas ideias e novos conteúdos. Essa atividade é tão simples, que pode ser realizada com os participantes sentados e em silêncio por dois minutos, abrindo caminho para uma sensação de relaxamento do corpo e da mente, prestando atenção à respiração, e se livrando de distrações. Para ajudar, é possível usar um aplicativo ou simplesmente encaixar momentos de prática de meditação na programação do dia.
  • Faça intervalos para meditar. Fique de olho no que os participantes fazem nos intervalos. Muitas pessoas usam os intervalos como uma chance para verificar o que está acontecendo no trabalho, o que é prejudicial ao aprendizado por dois motivos:
      1. Isso tira a chance de o conteúdo entrar e se fixar na mente, afetando a classificação da informação – de memória recente à memória remota.
      2. Também cria mais informação para a mente. Auxilie os participantes a resistirem à tentação de verificar mensagens no celular. Incentive-os a fazer do intervalo algo relaxante, podendo fazer, escrever no diário pessoal, ou criar uma oportunidade para conversar com o colega de trabalho sobre o aprendizado.

Depois do evento, incentive os participantes a fazerem meditação por 10 minutos todos os dias. Se a mente estiver limpa, concentrada e mais calma, eles terão mais chances de reter a informação que aprenderam.


Carter é Sócia-Diretora da Potential Project na América do Norte. É coautora do livro The Mind of the Leader – How to Lead Yourself, Your People and Your Organization for Extraordinary Results(HBR Press, 2018) e, também, coautora do primeiro livro de Rasmus Hougaard, One Second Ahead: Enhancing Performance at Work with Mindfulness.


Rahul Varma é Diretor Administrativo Sênior da Accenture. Varma está à frente da empresa Talent, da Accenture, que tem por objetivo descobrir, inspirar e desenvolver pessoas altamente talentosas. Rahul recebeu prêmios na Accenture por ter apresentado inovações nas atividades com talentos e uma metodologia revolucionária para aprimorar o desempenho de pessoas, elaborando um método novo para o aprendizado corporativo, movido por inovações como lousas digitais, mais de 90 salas de aulas conectadas e uma rede mundial de centros de aprendizagem destinada a otimizar o aprendizado humano.


Rasmus Hougaard é Fundador e Diretor Presidente da Potential Project, uma empresa mundial de desenvolvimento empresarial e de liderança que tem como clientes a Microsoft, a Accenture, a Cisco e centenas de outras organizações. Hougaard lançou seu segundo livro The Mind of the Leader – How to Lead Yourself, Your People and Your Organization for Extraordinary Results juntamente com a HBR Press em março de 2018.

Fonte: Harvard Business Review