Como o RH pode ajudar na formação da liderança 4.0

Liderança 4.0 é um tema bem pertinente ser discutido pelos líderes diante o cenário de mudanças constantes, incertezas e, principalmente, diante da mudança de perfil de trabalho e, para ser um líder 4.0, existem duas opções: ou a pessoa já nasceu um líder 4.0, e precisa de alguns “ajustes finos”, ou a pessoa liderava equipes desde o século passado, e agora precisa reaprender a liderar.  De uma forma ou de outra, é necessário se trabalhar uma mudança de mindset, começando por compreender que a liderança do futuro não é meramente uma atualização da liderança do passado, e sim uma transformação.

O líder do passado tem um mindset de comando e controle. O chefe manda, o colaborador executa, e não se discute, porque quem manda é o chefe. É interessante que ainda existem empresas assim no mercado, com esse estilo de liderança de comando e controle, mas se observarmos bem, vamos ver que, muito provavelmente, são empresas que atuam com commodities, com pouco baixo nível de inovação e desenvolvimento de novos produtos ou serviços e, talvez, nem existam mais daqui a alguns anos.

O líder 4.0 é o líder do futuro e a liderança do futuro é colaborativa, não funciona por hierarquia de comando e controle. A liderança é situacional e pode mudar, conforme muda o escopo do projeto, pois as pessoas se agrupam para formar um projeto e resolver um problema, ou desenvolver algo novo e, quando esse projeto é concluído, elas vão fazer parte de outro projeto já em andamento, que teve um escopo ampliado, ou vão iniciar um novo projeto.

Nesse cenário, tudo é muito dinâmico, e o líder precisa compor seu time com equipes multidisciplinares, priorizando a diversidade para facilitar a construção de soluções inovadoras. Nessa linha de raciocínio, o livro “De onde vem as boas ideias” aborda essa premissa de que as melhores ideias e maiores invenções surgem no ambiente de diversidade (exaptação) e adversidade (serendipidade), assuntos que abordarei em outro artigo.

Esse ambiente de diversidade e adversidades pode ser compreendido pelo acrônimo VULCA – Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo, é necessário e exige da liderança 4.0 o entendimento e a priorização das duas questões a seguir:

  1. Fortalecimento dos alicerces do relacionamento humano no ambiente de negócios, principalmente a integridade e a ética. Essas duas características não podem ser deixadas de lado, em momento algum.
  2. Ênfase no propósito para que os colaboradores forem um time onde se viabilize o pensar junto e a participação nas decisões. O Líder 4.0 não toma decisão sozinho, ele compartilha a situação, compila a ideia e fornece o direcionamento para o time.

 

A maior mudança que os lideres precisam internalizar ao pensar na liderança 4.0 é que aquela antiga estrutura hierárquica de organogramas onde as pessoas são divididas em caixinhas já não respondem mais a realidade do ambiente e nem a expectativa dos liderados. O Líder 4.0 é um direcionador e não um comandante que exige execução de ordens.  

O RH das empresas tem um papel fundamental para ajudar as lideranças no desenvolvimento do mindset do líder 4.0: É importante que as lideranças pensem nos resultados do seu time, porém, é mais importante que as o líder 4.0 pense na qualidade de vida de seus liderados, tendo em vista que o resultado é apenas uma consequência e, cada vez mais, estimulado pela qualidade de vida que as pessoas têm no trabalho.

A qualidade de vida no trabalho tem relação direta com seu desempenho, então quanto maior a qualidade de vida no trabalho, maior o desempenho das pessoas e, em tese, maior o resultado da empresa.

Essa medida para equilibrar a qualidade de vida e a cobrança por resultados pode ser calibrada com a área de recursos humanos da empresa, adicionando a visão do especialista em gestão de pessoas para estruturar uma liderança 4.0 de alta performance, considerando o fator humano na definição dos critérios de avaliação, que vão além de metas de projetos e metas financeiras.

A gestão da performance do time, em uma liderança 4.0 apoiada pelo RH das empresas, com a atuação dos especialistas em gestão de pessoas, vai viabilizar o alcance de grandes resultados, desde que haja um equilíbrio entre os recursos disponíveis para que o liderado tenha um excelente desempenho e o resultado que se espera que ele alcance.

No fluxo do processo da liderança 4.0, o líder mantém seu time direcionado para o propósito da empresa e atua para a priorização dos objetivos e para o alcance das metas, recebendo o apoio do RH com iniciativas para aumentar o engajamento das pessoas e ajudar a manter o equilíbrio entre qualidade de vida, desempenho e produtividade para o alcance de resultados, o que deve, preferencialmente, ser gerenciado por meio de um sistema de gestão de performance que contemple todas essas variáveis.

 

Fonte: Rodrigo Piassi, MSc.